Lembranças que guardo e considero importantes e que de uma ou outra maneira, todos com quem convivo e convivi, sabendo ou não, puderam sentir e sentem o sabor doce ou salgado que é conviver com este filho da Neta.

Banho de cachoeira

Tarde soleada. De bombacha cinza e sem camisa, sorriso maroto de quem nunca rejeitou a lida e a luta.
Com carinho olhou pra Neta como que dizendo: até já.
Seguiu bordeando a sanga, que ladeava o rancho rumo a cachoeira.
Neta mateou solita na sombra da bergamoteira, escutando no rumorar das águas, velhas cantigas, velhos assobios. Saudades da pampa.
No fogão uma galinha com arroz. No pasto a novilha o leite gordo. Pelas paredes retratos dos filhos. A criação pelo quintal...
Por que não um mate com o velho? Matear na cachoeira. Por que não um banho?
Com seu sorriso missioneiro, herança da raça bugra. Como o velho, seguiu bordeando a sanga, como que dizendo: o já, já é.
Bem assim foi, bem assim é.
Bem assim: nas águas da cachoeira depositei as cinzas junto com as irmãs Nayá e Lena; agosto de 1982 as do Chico, março de 1985 as da Neta.