Chimarrão, uma paixão, vida afora. Quem toma chimarrão tem um índio vivo na alma, cultua a ancestralidade.
Quando eu estava no sítio, ainda madrugada, Neta fazia o fogo, aquecia a água, começava o mate, novo e gordo e me acordava. Ficávamos sentados ao lado ao fogão sorrindo e chimarreando, esperando pelo dia e os outros acordarem. O Chico era o primeiro.
Em São Paulo não era diferente, de madrugada a Neta me acordava com um mate, eu sentava na cama, ela do lado e mateávamos em total silêncio até as seis e meia.
Em 1959 a Neta viajou a Porto Alegre por motivo de saúde, Tupã interno no seminário, Nayá e Lorena ficaram na casa do padrinho Antônio, eu e o pai ficamos em casa por duas semanas. Todos os dias rezamos ajoelhados na frente de um quadro do Sagrado Coração de Jesus pela saúde da mãe. Nunca falei com ela sobre isto e acho que o Chico também não.
Quando comecei falar, tive dificuldade para pronunciar o "R", Chico e Neta se socorreram de exercícios comigo. Seguramente não tenho como me lembrar, mas um dos exercícios sobreviveu ao trauma da fala e acabou fazendo parte das nossas vidas, a vida toda. Costumava brincar contando para o Chico e para a Neta um dos exercícios: Rraimundo, falava que tinha um burro muito corredor, convidado para uma carreira ele rrespondia, me rroubaram levaram pra lá de Rrosário e se alguém insistisse ele dizia, não adianta já morreu. Eles olhavam para mim e sorriam.
Dia destes é que entendi a lição: era para reconhecer os Raimundos antes de passarem por mim, não depois de terem passado.
Lembro duas músicas cantadas pela Neta, desde meus tempos criança, sempre que pegava um bebê no colo: “Ronron nenito, ronron mi sueño, pedazo de mi corazón” e outra quando estava só em alguma tarefa “Desde que se fue, triste vivo jô, caminito amigo, jô también me voy”. Numa sutileza quase imperceptível via o gosto por música, quando menina tocava gaita.
"Sus conocidos mama? por cierto, me saludaran" e "éle ó, ló, jotaa já, venda".
Lembro duas músicas cantadas pela Neta, desde meus tempos criança, sempre que pegava um bebê no colo: “Ronron nenito, ronron mi sueño, pedazo de mi corazón” e outra quando estava só em alguma tarefa “Desde que se fue, triste vivo jô, caminito amigo, jô también me voy”. Numa sutileza quase imperceptível via o gosto por música, quando menina tocava gaita.
"Sus conocidos mama? por cierto, me saludaran" e "éle ó, ló, jotaa já, venda".