Se em 1962 o Brasil vivia o prenúncio de mudanças de paradigma, nossa família não teve a oportunidade de saborear o prenúncio.
Numa prova de religião com a questão, "quais as causas das injustiças sociais?" , Tupã um adolescente de 14 anos respondeu, que "era a espoliação e o principal espoliador era a igreja". Assunto interno de uma disciplina menor, de um curso de primeiro grau, mas ganhou dimensão inimaginável. Um adolescente ex seminaristinha, o professor o padre e a sociedade católica ameaçada pela invasão pentecostalista estadounidense, bastou para reviver os "saques das tropas legalistas", perseguição ao pai e roubo na tina e no balaio onde a família guardava a comida, revivendo 1924. Com cenas protagonizadas até* na Assembleia Legislativa.
As mudanças das nossas vidas foram radicais, os baques foram absorvidos, Chico seguiu na sua função, de pai, de protetor da família; Neta na de mãe, de companheira, reorientou tudo, sem transferir responsabilidades maiores aos filhos que assimilaram as mudanças, mesmo a mudança para São Paulo, como fatos normais da vida, sempre resistindo, encarando os problemas, incentivando a resistência inteligente aos espoliadores. Neste momento a costura e a malha substituiu o retrato. Lena seguiu com a malha.
Em 1989 todos os funcionários da TerraFoto onde eu trabalhava se organizaram, não permitiram serem privatizados e pediram demissão coletiva, tinha certeza que a minha participação era uma solene homenagem a Netinha.
Neta: "Quando a vida amarga, nao devemos nos iludir com esperanças vãs, copo de vidro, toalha rendada, não desamargam o fel servido". Fantasias impedem de ver e encontrar soluções que libertam.