Lembranças que guardo e considero importantes e que de uma ou outra maneira, todos com quem convivo e convivi, sabendo ou não, puderam sentir e sentem o sabor doce ou salgado que é conviver com este filho da Neta.

Viver é construir o futuro

Em 1958 no terceiro primário, do Grupo Escolar Joaquim Nabuco, Tupanciretã, eu mais pequeno que hoje, a mãe escutou a queixa da professora, Terezinha Ortiz, por eu não ter feito nenhum dos mapas de geografia.

Todas as tardes num caderno de desenho eu fazia um, com atenção total da Neta, eu desenhava, ela ajudava, ou ela desenhava e pintava e eu assistia.

Eram vários mapas do estado do Rio Grande do Sul, encheu o caderno, como regiões, cidades principais, lembro do mapa dos principais rios, ela contou história de quando menina morou em Panambí na margem do Rio Fiúza: bicicleta de madeira dos irmãos, gatinha preta, água na talha, de uma cheia no Rio Fiúza levando um ranchinho com a correnteza e um galo na cumeeira.

Em 1969, com 18 anos, morando na Monções em São Paulo, falei pra Neta em me inscrever em um concurso para um curso profissionalizante, na VASP, ali no bairro na rua Nova York. Ela falou que sabia onde era e numa folha de caderno desenhou o trajeto comentando e anotando, ruas, igreja, escola, uma grande arvore, destaques que haviam no caminho.

Passei no concurso e o que fui aprender foi nada mais do que ela, na explicação desenhada naquela folha de caderno me ensinou. Fundamental também aqueles mapas do primário e os 18 anos de convívio com a fotografia. Fazer mapas com aero fotos medidas em precisão, aerofotogrametria.

Nos 36 anos trabalhando com fotos e mapas os conceitos nunca se alteraram, ainda são os mesmos contidos na chave fornecida pela Neta. Houve muita mudança sim. Processos gráficos se tornaram digitais e a analogia migrou para o semianalítico se extinguindo os dois no analítico. Minha especialização: "matemático analógico".